Alcides Yano e a evolução do tênis de mesa no RS


Nos últimos anos foi evidente o aumento do nível técnico de todos os atletas do Estado, bem como a melhoria da organização e estrutura da nossa federação.

Poderíamos citar vários nomes relacionados ao crescimento do TM gaúcho, porém uma pessoa foi muito importante para essa evolução. Alcides Yano, natural de Londrina - PR, chegou ao RS em 2010 com seus pensamentos visionários, que contribuíram diretamente para o desenvolvimento do TM no Estado.

De 2010 para cá, tivemos atletas premiados em competições nacionais e internacionais, uma atleta participando de uma seletiva nacional e uma federação consolidada. Mesmo esses objetivos sendo de difícil concretização, Alcides Yano sempre acreditou que seria possível. Confira abaixo uma breve entrevista com o grande amigo do TM gaúcho:

FTMRS - Quando chegou ao RS, o que o senhor achou do cenário do TM gaúcho?

Alcides Yano: Era um período de transição, poucos atletas, muitas crianças com potencial de evolução, e muita vontade de todos em melhorar. Bastava sonhar e trabalhar.

FTMRS - Fale um pouco sobre a aposta feita com o Jorge Fanck naquela época.

AY: Foram várias apostas, e ganhei todas elas. Com exceção de uma que é para o futuro. A primeira foi a de que teríamos em 3 anos, atletas do RS no pódio em eventos nacionais, já aconteceu isso em diversas competições, sendo que a última delas foi o título da Izumi no Campeonato Brasileiro deste ano. A segunda foi de que em 5 anos, conseguiríamos ter atletas em uma seletiva da seleção nacional, não só já aconteceu, como a Izumi chegou bem perto de conseguir a vaga, ficando em segundo lugar em uma das disputas. A terceira, que não chegou a ser uma aposta, mas uma premonição: quando cheguei ao RS, disse a ele que ele tinha potencial para ser um dos melhores técnicos do Brasil, e o resultado está aí hoje, técnico das seleções de base, 2 viagens à China e responsável pelo Programa Diamantes do Futuro. Lembro que nesta ocasião, disse que para isso ele teria que escolher o que queria, se mais jogador ou mais técnico. E disse que se ele continuasse a ser mais jogador, isto acabaria bloqueando o seu lado técnico, pois inconscientemente ele não repassaria tudo o que sabia, ou não extrairia o máximo dos seus alunos, pois teria medo de ser superado por eles. Não sei se ele seguiu o conselho, mas pelo menos nos últimos campeonatos ele tem passado um sufoco e tanto com seus alunos, e a carreira de técnico dele vai de vento em popa!! A aposta era que ele faria um churrasco, para cada pódio ou convocação, pelas minhas contas, já são mais de 5!! Brincadeiras à parte, o principal é a satisfação de ver esta evolução de todos.

FTMRS - Qual a sua relação com o tênis de mesa? Comente um pouco sobre como o senhor e os membros da sua família estão envolvidos com o esporte.

AY: Eu jogo por diversão, para acompanhar os meus filhos, quem começou a jogar foi o meu filho Vinicius e em seguida a Daniela. Sempre vi o esporte como um importante complemento da formação. E para isso, o tênis de mesa é um dos melhores, primeiro pelo bom ambiente, depois por suas características que envolvem muita técnica, aprimora os reflexos, e exige concentração e força mental. Tenho com o tênis de mesa uma relação muito especial, pois a minha filha caçula superou todas as minhas expectativas, conseguindo desde cedo bons resultados, e com isto pode aproveitar tudo de bom que o esporte pode proporcionar, tal como viagens por todo o Brasil e até para outros países. Isto com certeza tem agregado muito na formação dela como pessoa.

FTMRS - Comparando o momento de 2010 ao atual, quais são as principais diferenças entre eles na sua opinião?

AY: Muitas, creio que nestes 6 anos o TM Gaúcho foi o que mais evoluiu em termos de Brasil, 6 anos atrás pouco se falava sobre nós. Hoje temos atletas destacando-se com exemplos como a Izumi que conquistou um Campeonato Brasileiro, o Alexon com bons resultados no paralímpico. Sem contar diversos bons atletas, que estão surgindo e que logo vão se destacar e vão nos trazer muitas conquistas. Internamente os campeonatos que tinham poucos atletas participando e sempre com resultados previsíveis, hoje são muito disputados, sempre com diversos atletas com chance de ganhar. Talvez a maior das diferenças e a que serve para mostrar o avanço que tivemos, é o exemplo do Jorge Fanck, 6 anos atrás era um jovem técnico iniciante, hoje é referência no cenário nacional, responsável pelo Programa Diamantes do Futuro, que é literalmente o futuro do Tênis de Mesa brasileiro.

FTMRS - Quais são os próximos passos a serem dados pela comunidade do tm gaúcho no seu ponto de vista?

AY: Não podemos parar no tempo e achar que está bom. Temos que partir para uma profissionalização na organização dos campeonatos, na captação de recursos. Temos que encontrar uma forma de disseminar o tênis de mesa a nível de Estado, o RS tem uma diferença em relação aos outros estados, nós temos poucos núcleos. O PR e SP, por exemplo, têm na colônia japonesa diversos clubes esparramados pelo interior, em SC as prefeituras têm uma participação muito forte. Aqui creio que talvez o caminho seja as escolas. Mas temos que procurar alternativas. Outro ponto, que considero como gargalo, é que temos poucos técnicos trabalhando na área. Mas com certeza estes pontos já estão sendo estudados pela Federação Gaúcha

FTMRS - Se o senhor quiser falar mais alguma coisa que não está nas perguntas, fique à vontade!

AY: Gostaria de agradecer pelo carinho com que eu e minha família fomos acolhidos aqui no RS, e dizer a todos os atletas e pais que sempre acreditem nos seus sonhos. O primeiro passo é sempre sonhar, depois disso trabalhar firme, esse é o caminho a seguir, tanto no esporte como na vida. E por fim, que um dos grandes diferenciais aqui no RS é a união de todos, independente do clube, e que é muito importante que esta união seja mantida.


Créditos da foto: Marco Dillenburg


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